PROJETO DE PROFESSORA MAGEENSE RECEBE PRÊMIO DA ALERJ

Homenagem enaltece profissionais da educação que se dedicam dentro e fora da sala de aula

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A professora da rede municipal de ensino, Kirce Bermute, foi uma das selecionadas para receber o 1º Prêmio Paulo Freire da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – Alerj na modalidade Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental. A premiação foi realizada na última quinta-feira (14) no salão nobre do Instituto de Filosofia, História e Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O prêmio é uma homenagem ao educador e filósofo criador da “Pedagogia da Libertação”, referência mundial da área pedagógica e atual patrono da educação brasileira, além de enaltecer os profissionais da educação que se dedicam diariamente pela construção do conhecimento dentro e fora da sala de aula.

O deputado Flávio Serafini, presidente da Comissão de Educação da Alerj, ressalta que a premiação busca valorizar e reconhecer iniciativas transformadoras e fortalecedoras na educação do Estado do Rio de Janeiro.

“A gente recebeu mais de 200 inscrições e 80 projetos foram reconhecidos como ideias que reforçam a educação na atualidade. Isso tem melhoria na qualidade, no combate a evasão e no estímulo do movimento cognitivo dos estudantes”, afirmou o presidente da comissão, que acredita que essas iniciativas podem ajudar o Brasil a combater os problemas na esfera educacional.

A solenidade contou com a presença de educadores e alunos de diversas instituições de ensino do Estado do Rio de Janeiro, além de autoridades do legislativo e executivo.A secretária de Educação e Cultura de Magé, Álison Brandão, também marcou presença. Orgulhosa, falou sobre a importância desse reconhecimento para a educação de Magé.

“Esse projeto representa o trabalho que a rede Escola Viva faz hoje no ensino público. Nossa cidade reflete educação e está ganhando o respeito de todo o Estado, e um dos motivos é que nós temos docentes como a Kirce, que faz o seu trabalho com amor, carinho e dedicação, levando o nome da nossa escola para palcos como este da UFRJ. Quero agradecer a todos os professores mageenses que estão transformando o nosso município através da educação”, expressou a secretária.

O projeto da professora foi intitulado como ‘Construindo Identidades’ e surgiu após uma despretensiosa atividade de pintura com as crianças da turma 402 da Escola Municipal Tiradentes.

“Tudo começou com uma atividade de pintura do autorretrato. As crianças disputavam o lápis cor de pele, sendo que o lápis era de uma tonalidade rosa, coloração que não representa a cor de ninguém. Foi quando eu perguntei o motivo que levou os alunos a não pintarem seus desenhos com os lápis marrom e preto, justamente os que se aproximavam da cor da pele deles. Fui surpeendida com a resposta de que se pintassem com tons escuros, as pessoas iriam achar os desenhos feios. Isso me impactou bastante. Fiquei muito triste com aquela resposta. Não imaginava que aquelas crianças já tinham sofrido algum episódio de discriminação por causa da sua cor de pele. Racismo é crime! A partir daí comecei as minhas pesquisas porque me achei no direito de mudar esse pensamento deles”, explicou Kirce Bermute, mentora do projeto premiado.

Lisonjeada com o reconhecimento da Alerj, Kirce falou, ainda, sobre o satisfação de ser reconhecida como uma mestre do ensino que luta e consegue fazer a diferença. “Esse prêmio é uma resposta. Ele tomou uma grande proporção para a comunidade. Costumo dizer que esse prêmio não é meu, é nosso! Não vou negar que estou feliz, mas quando vi os olhos dos meus alunos no momento em que anunciei que nós havíamos ganhado, teve aluno que até chorou. Isso para mim é uma alegria celestial! É isso que estou sentindo agora, um orgulho gigante de cada aluno meu, porque eles são uns guerreiros. Estou sentindo uma plenitude que fazia muito tempo que eu não sentia. Isso me traz esperança!”, disse a professora.

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